Na última postagem, relacionou-se a obesidade e a diabetes com a resistência à insulina. Viu-se também que a resistência à insulina acarreta num quadro de maior produção de insulina (hiperinsulinemia). Na postagem de hoje, será apresentado a participação da resistência à insulina em fatores como hipertensão arterial (HA) e hipertrigliceridemia (HT).
A hipertensão arterial é uma doença caracterizada pela elevação dos níveis tensionais no sangue e que está muito relacionada com a obesidade. Esta implica em um aumento de tecido adiposo, especialmente, na região abdominal subcutânea ou intra-abdominal. Estudos mostram que a gordura intra-abdominal produz ácidos graxos livres, os quais produzem efeitos indesejados no nosso corpo. Um desses efeitos é o comprometimento da resposta tecidual à insulina e reduzem o transporte de glicose, implicando na resistência à insulina.
Isso nos ajuda a entender que a obesidade provoca a resistência à insulina. Mas, associado à essa resistência, pode surgir um quadro de aumento de pressão arterial em virtude do acúmulo de insulina. Essa é uma das hipóteses que recebe mais ênfase nos estudos atuais, apesar de não existir comprovações definitivas. No entanto, muitos fatores contribuem para fortalecer essa hipótese: as ações da insulina na retenção renal de sódio, no estímulo da atividade simpática e na modulação de endotelina circulante (peptídeos que promovem a constrição de vasos) favoreceriam o aumento da pressão arterial.
Outro efeito dos ácidos graxos livres produzidos pelo tecido adiposo intra-abdominal é o estímulo da síntese de VLDL no fígado. O resultado disso é a liberação de um excesso de partículas de VLDL grandes, ricas em triglicerídeos, que geram uma série de eventos que acarretam na redução do HDL. Estabelece-se, assim, a chamada tríade lipídica: aumento dos triglicerídeos (hipertrigliceridemia), redução do HDL-colesterol e a presença de níveis aumentados de LDL.
Relembrando que o excesso de LDL, associado à diminuição do HDL, induz quadros de hipercolesterolemia, aterosclerose e outros problemas vasculares. Portanto, todos os fatores levantados na postagem ajudam a explicar a relação entre resistência à insulina e os sintomas da chamada síndrome metabólica. Somado a isso, percebe-se o quanto a síndrome metabólica está vinculada a problemas vasculares.
Chega ao fim mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser colocadas nos comentários. Nas próximas postagens continuaremos a buscar novos enfoques para a síndrome metabólica para enfim relacionarmos o quadro geral da síndrome na situação atual do SUS.
Fontes: http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2004_02/a2004_v17_n02_art04.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Endotelina
http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/7-2/006.pdf
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/hipertensao
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipercolesterolemia

