terça-feira, 21 de outubro de 2014

Obesidade e diabetes: Os efeitos de uma dieta gordurosa

  Na primeira postagem falou-se que a síndrome metabólica é um resultado do conjunto de pelo menos três dos seguintes sintomas: obesidade, hipertensão arterial, hipocolesterolemia e hipertrigliceridemia. Em seguida, relacionou-se a síndrome metabólica, principalmente, com os hábitos alimentares e o estilo de vida. Na postagem de hoje, será detalhado um pouco da bioquímica por trás do estilo de vida em relação à dois dos sintomas da síndrome metabólica: a obesidade e a diabetes.
  Tomando como exemplo o Brasil, a alimentação da população brasileira é caracterizada pelo consumo de alimentos como biscoitos, pães, frituras, refrigerantes e carne vermelha ricos em gorduras e em açúcares. Esse consumo faz com que no organismo dos brasileiros, em geral, exista um excesso de gorduras saturadas e de glicose, a partir das quais surge a chamada resistência à insulina. A resistência à insulina consiste na dificuldade do hormônio insulina de realizar o seu papel de transporte de glicose para o interior das células de diferentes órgãos e tecidos do corpo.
  Mas como um organismo poderia tornar-se resistente à insulina? Pesquisas demonstram que uma dieta rica em gorduras saturadas provoca a ativação da TLR-4 (proteína existente na membrana celular). A ativação dessa proteína induz uma inflamação nos neurônios da base do hipotálamo responsáveis por controlar a fome e, também, uma maior produção de três enzimas - a iNOS, a JNK e IKK-beta - que impedem o funcionamento adequado da insulina . Em virtude disso, os níveis de glicose no sangue serão aumentados e surgirá uma espécie de círculo vicioso: a glicose no sangue continua a estimular a produção de insulina pelo pâncreas, mas essa produção não será identificada pelo hipotálamo, que eleva a liberação de dois hormônios (a orexina e hormônio concentrador de melanina) que aumentam a fome e diminuem o gasto de energia . O resultado desse processo todo é a danificação de células do fígado, dos vasos sanguíneos e dos nervos, bem como do surgimento de uma tendência do organismo em acumular o excesso de glicose no tecido adiposo - caracterizando o aumento de peso.
  Portanto, a ingestão de alimentos ricos em gorduras acarreta no aumento de peso e pode provocar a obesidade. Mas não para por aí: a resistência à insulina associada à obesidade também estimula o surgimento, especialmente, da diabetes tipo 2 - na qual o indivíduo produz a insulina mas não é capaz de utilizá-la corretamente.
  Agora por que mudar os hábitos alimentares pode ajudar a reverter os processos descritos acima? Pesquisas utilizaram o conhecimento da inflamação nos neurônios causada pela ativação da proteína TLR-4 e conseguiram descobrir mecanismos de reverter tal inflamação: a prática de exercícios físicos e o uso de ácidos graxos insaturados. No primeiro, observou-se que a realização de exercícios aumentava, em camundongos, a produção de proteínas anti-inflamatórias, chamadas de interleucinas, que ajudariam a reverter a inflamação nos neurônios do hipotálamo. No segundo, observou-se que os ácidos graxos insaturados revertiam a inflamação provocada pelas gorduras saturadas em função das diferentes estruturas espaciais dessas substâncias (os ácidos graxos insaturados são curvos graças a presença de ligações duplas e os saturados são alongados).

  Com isso, conclui-se mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários. Nas próximas postagens será explicado um pouco da bioquímica dos outros dois sintomas da síndrome metabólica, relacionando sempre com o estilo de vida e em como evitar esses sintomas.

Fontes: http://www.news.med.br/p/saude/367834/oms+divulga+as+dez+principais+causas+de+morte+no+mundo+de+2000+a+2011.htm
http://download.thelancet.com/flatcontentassets/pdfs/brazil/brazilpor4.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102013000700005
http://revistapesquisa.fapesp.br/2007/10/01/dieta-de-alto-risco/
http://revistapesquisa.fapesp.br/2009/02/01/gordura-atrai-gordura/
http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/07/044-049-173.pdf

9 comentários:

  1. Como o blog já vem demonstrando no decorrer de suas postagens, os hábitos alimentares estão diretamente relacionados com a Síndrome Metabólica, e, como nesse post fala-se sobre a resistência à insulina, é bom sabermos como diminuí-la por mudanças nos nossos hábitos. Eleger alimentos saudáveis para comer é fundamental na diminuição da resistência à insulina. Para começar, o corpo resistente à insulina não utiliza a insulina da maneira mais apropriada, como explica o post. Os alimentos devem ser escolhidos de modo a que não contribuam para o problema de aumento dos níveis da glicose no sangue. Evite comer hidratos de carbono, pois estes estimulam uma grande quantidade de secreções de insulina depois de comer. Incluídos nos hidratos de carbono estão os alimentos que contêm grãos refinados brancos e alimentos e bebidas açucaradas. A melhor maneira de evitar os hidratos de carbono é utilizar os alimentos naturais, alimentos não processados, como carnes, frutas, verduras e gorduras monoinsaturadas, como as nozes, manteiga de amendoim e o azeite ou o abacate.

    Fonte: http://saude.umcomo.com.br/articulo/como-diminuir-a-resistencia-a-insulina-1134.html#ixzz3GzvxCrN0

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  2. Um importante fator ambiental para o aumento das doenças relacionadas à sindrome metabólica é o aumento da oferta de carboidratos processados (de fácil digestão) em nossa alimentação. Estudos sugerem que o aumento de consumo desse tipo de carboidratos e de açúcares tendem a aumentar o risco de obesidade, diabetes mellitus e de doenças cardíacas até mesmo mais do que a ingestão de gorduras saturadas.
    Fonte: http://portaldocoracao.uol.com.br/nutrico/carboidratos-processados-e-acucares-refinados-podem-agredir-mais-o-coraco-do-que-as-gorduras-saturadas

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Podemos não perceber, mas um dos principais fatores que aumentam o consumo de gorduras na sociedade e consequentemente a ocorrência de síndromes metabólicas é a influência da mídia na nossa sociedade. Haja vista que todas essas estratégias mexem com a mente e o inconsciente das pessoas, alguns efeitos metabólicos são proporcionados por isso. Como há o despertar imediato do desejo de comprar e consumir o produto, e uma certa "empolgação", alguns níveis de adrenalina no organismo são liberados. A adrenalina tem papel ativador sobre o AMPc que participa da regulação da glicogênio fosforilase, enzima responsável pela glicogenólise. O AMPc ativa a enzima glicogênio quinase (B para A) que por sua vez converte a glicogênio fosforilase a sua forma ativa (B para A). Ela. por sua vez quebrará o glicogênio em glicose, que será utilizada pelo corpo. Logo, o estoque de glicose precisará ser reposto, gerando fome e o desejo de comer pela grelina, até que os níveis de glicose estejam repostos e o glicogênio seja novamente formado. Logo, pode-se concluir, meio que a grosso modo: a manipulação midiática causa sensação de fome no organismo! O que também pode ser caracterizada como um dos efeitos da síndrome metabólica.
    Fonte: manipulacaomidiatica.blogspot.com e aulas do osmar

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  5. Quando se considera a faixa de renda, observam-se discrepâncias importantes entre os estratos de menor e maior renda. Os indivíduos no quarto de renda mais elevada referiram sanduíches, tomate e alface e aqueles no primeiro quarto de renda citaram os peixes e farinha de mandioca entre os alimentos mais prevalentes, os quais são alimentos que foram também citados com prevalência elevada nas regiões Norte e Nordeste.
    Estudos de base populacional realizados em outros países com adolescentes também mostram o alto consumo de alimentos fast food e baixo consumo de frutas e legumes.

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  6. A crença atualmente prevalente é que a causa imediata da obesidade é o desequilíbrio de energia líquida, o organismo consome mais calorias usáveis do que gasta e elimina. Alguns estudos indicam que a adiposidade visceral, em conjunto com a desregulação dos lípidos e diminuição da sensibilidade à insulina, está relacionada com o consumo excessivo de frutose. Outros fatores ambientais, como tabagismo materno, compostos estrogênicos na dieta, e desreguladores endócrinos pode ser importante também. A obesidade tem um papel importante na diminuição de metabolismo lipídico e de carboidratos mostrado em dietas ricas em carboidratos.

    Fontes:
    http://www.ajcn.org/content/76/5/911.full
    http://www.gnmhealthcare.com/pdf/12-2009/22/ijo_vaop_ncurrent_gnm_ijo2009259a.pdf
    http://jasn.asnjournals.org/content/20/3/457.full
    http://www.springerlink.com/content/q5487k0r18162473/

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  7. No controle da diabetes, é essencial o emagrecimento do paciente em questão. Podemos resumir dizendo que a "gordura" piora as condições do diabético. Em todas pessoas, diabéticas ou não, o aumento do tamanho das células gordurosas faz com que as necessidades de insulina aumentem. Acontece que as células gordurosas e de outros locais onde a insulina é necessária (fígado e músculos), têm "receptores" onde as moléculas de insulina se encaixam.Com o aumento de tamanho das células de gordura, diminui o número de seus receptores; e elas respondem menos a uma quantidade de insulina que antes era insuficiente. Para vencer essa resistência é necessária uma maior quantidade de insulina. Se esta pessoa tiver diabetes, não insulino dependente, e só com a dieta ela estivesse controlada, pode ser que precisasse de hipoglicemiantes orais. Se já estiver usando hipoglicemiantes orais, ela precisará de maior dosagem, ou pode ser que os hipoglicemiantes, mesmo nas maiores doses usadas, não sejam suficientes e elas precisarão usar insulina. No caso de quem já está usando insulina, uma maior dose é necessária. Assim, quanto mais cedo for "descoberta" a síndrome, menos provável é haver uma forte dependência a insulina.

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  8. A obesidade é, segundo muitos especialistas, a maior causa de resistência insulínica, principalmente a obesidade abdominal. Aqui é importante o papel da célula do nosso organismo que tem função de estocar gordura: o adipócito. Quando o adipócito está com grande quantidade de gordura no seu interior, ele passa a produzir várias substâncias inflamatórias que vão, no final, gerar mais resistência à insulina e aumentar o risco de desenvolver aterosclerose, pressão alta e elevação dos níveis de colesterol no sangue.
    Fonte: www.minhavida.com.br/saude/materias/16815-resistencia-a-insulina-pode-levar-a-sindrome-metabolica

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  9. A obesidade já é considerada uma epidemia mundial independente de
    condições econômicas e sociais. O risco aumentado de mortalidade e
    morbidade associado à obesidade tem sido alvo de muitos estudos que
    tentam elucidar os aspectos da síndrome X como conseqüência da
    obesidade. Esta síndrome é caracterizada por algumas doenças
    metabólicas, como resistência à insulina, hipertensão, dislipidemia. Está
    bem estabelecido que fatores genéticos têm influência neste aumento
    dos casos de obesidade. No entanto, o aumento significativo nos casos
    de obesidade nos últimos 20 anos dificilmente poderia ser explicado por
    mudanças genéticas que tenham ocorrido neste espaço de tempo.
    Sendo assim, os principais fatores envolvidos no desenvolvimento da
    obesidade têm sido relacionados com fatores ambientais, como
    ingestão alimentar inadequada e redução no gasto calórico diário. Na
    tentativa de desencadear obesidade em animais e permitir o estudo
    desta doença de maneira mais completa, diversos modelos experimentais
    de obesidade têm sido desenvolvidos. Ainda que não possam ser
    considerados exatamente iguais aos modelos de obesidade humana,
    são de grande valor no estudo dos diversos aspectos que contribuem
    para este excessivo acúmulo de adiposidade e suas conseqüências

    http://www.scielo.br/pdf/abem/v47n2/a03v47n2.pdf

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