domingo, 12 de outubro de 2014

Origens da Síndrome Metabólica: genética, ambiental e nutricional

  Na última postagem, discutiu-se o que é a síndrome metabólica e a importância de ficar atento para esse problema. Na postagem de hoje, o foco será dado para a elucidação das causas e das origens da síndrome metabólica.
  Embora as principais causas da síndrome metabólica não estejam completamente desvendadas, acredita-se que a síndrome está relacionada principalmente à predisposição genética, à influência ambiental e aos hábitos alimentares da população. Para entender a influência da predisposição genética, devemos compreender como os nossos genes estão adaptados para a alimentação. Estudos e pesquisas revelam que, apesar da existência de mutações, o genoma humano (Homo sapiens) é essencialmente o mesmo desde o período Paleolítico (500.000 a.C. - 1000 a.C.) e foi para o estilo de vida do homem dessa época que nosso genoma foi adaptado. Mas qual seria esse estilo de vida? Ao observar a imagem abaixo, percebe-se que existem profundas diferenças na alimentação e na realização de atividades físicas entre os períodos paleolítico e atual.

  De modo geral, percebe-se que o nosso corpo foi inicialmente utilizado em uma ingestão alta de proteínas, de fibras e baixas ingestões de gorduras e sódio, além de que há intenso gasto energético associado à atividades físicas. No entanto, atualmente observamos que nossos hábitos alimentares estão justamente no sentido contrário: alta quantidade de gorduras, de calorias, de sódio, baixa ingestão de proteínas e isso tudo somado a um baixo gasto energético. Portanto, um corpo que foi geneticamente adaptado para um estilo de vida acaba sendo utilizando para outro estilo completamente diferente e não houve uma adaptação genética significativa para tolerar essas mudanças. A partir daí, a sociedade desenvolve, principalmente, as doenças crônicas ligadas ao metabolismo; fato que desencadeia a síndrome metabólica.
  Em relação a influência do ambiente, estudos mostram que, por exemplo, fetos que não tiveram uma boa nutrição na sua gestação, nascendo com peso abaixo do esperado, e que tiveram um ganho de peso exagerado na sua infância, em virtude do estilo de vida calórico e sedentário, possuem uma maior predisposição a desenvolver doenças como obesidade e diabetes. Esse exemplo demonstra que o ambiente a que somos submetidos influencia o nosso fenótipo. Por fim, percebe-se que todos os fatores analisados estão relacionados à nutrição. Em última análise, é o modo como nos alimentamos que provoca alterações no metabolismo e, consequentemente, é esse fator que possui maior relação com a síndrome metabólica.


Chega ao fim a segunda postagem do blog. Nas próximas postagens continuarei a desvendar as características da síndrome metabólica, tais como sintomas e formas de prevenção. Todo o conhecimento já formado é importante para que possamos compreender  a complexidade do assunto. Dúvidas e sugestões podem ser feitos nos comentários.


Fontes: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/viewDownloadInterstitial/2228/7852

5 comentários:

  1. É realmente interessante pensar na relação entre os genes e a alimentação, desde os primórdios. Acho que o que se conclui hoje é que, numa escala evolutiva, nossas modificações modificações alimentares são demasiado recentes para as características metabólicas que possuímos. Somos, assim, uma geração do século XXI, geneticamente próxima do Paleolítico, a viver com profundas modificações da alimentação, em que novos padrões de estilo de vida nos empurram para as actualíssimas “doenças da civilização”, como a Síndrome Metabólica.

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  2. A espécie humana tem, como parte da natureza, uma necessidade de colocar seu intelecto e seu estilo de vida acima do biológico. Foi, para nós, um triunfo ter chegado a tecnologias contra o perecimento de alimentos, a produção de alimentos cada vez mais práticos e processados é, para nossa espécie, uma vitória. Todavia, o biológico parece estar sempre um passo à frente do intelecto, o que se expressa em problemas de saúde decorrentes da alimentação. A síndrome metabólica sendo o mais evidente dentre eles.

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  3. Como foi dito na postagem, a nutrição é o fator primordial na alteração do metabolismo. Pelo fato da Síndrome Metabólica estar associada a maior número de eventos cardiovasculares é importante o tratamento dos componentes da Síndrome. É fundamental que seja adotado um estilo de vida saudável, evitando fumo, realizando atividades físicas e perdendo peso. Em alguns casos o uso de medicação se faz fundamental. Um endocrinologista pode avaliar e orientar o caso especificamente.

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  4. A Síndrome Metabólica (SM) é um complexo distúrbio metabólico provocado pela quebra da homeostasia corporal, razão pela qual é também definida como a “Síndrome da Civilização”. Por se tratar de um distúrbio que envolve o metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas provenientes da dieta, bem como programação e predisposição genética, a discussão acerca da origem da SM é o foco deste artigo. A nutrição é um dos fatores ambientais de maior importância no processo evolutivo

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  5. Em três décadas, a obesidade infantil e adolescente triplicou nos Estados Unidos, e estimativas de 2010 classificam mais de um terço de crianças e adolescentes como obesas ou com sobrepeso.


    A obesidade aumenta o risco que essas crianças têm de desenvolver diabetes do tipo 2, doenças cardiovasculares, apneia do sono, e problemas nos ossos ou juntas.
    Novas evidências estão confirmando que o ambiente em que crianças vivem tem um impacto maior sobre esforços para controlar a obesidade infantil que fatores como genética, atividade física insuficiente, ou outros elementos.


    Três novos estudos, publicados na Pediatrics de 8 de abril, discutem a importância do lado da ‘criação’ [nurture] na equação e se concentram em circunstâncias específicas nas vidas de crianças ou adolescentes que podem contribuir para um peso insalubre.

    fonte
    http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/obesidade_infantil_e_consequencia_de_fatores_ambientais.html

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