terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Relações médico-paciente

  Após discutir os aspectos gerais da síndrome metabólica sob vários ângulos (o que é a síndrome, como ela surgiu, como tratar, entre outros) e ver um pouco do papel do SUS na saúde brasileira, o blog será finalizado hoje com um assunto que foi levantado inúmeras vezes ao longo das postagens: a situação das relações médico-paciente na sociedade atual.
  Atualmente, a medicina passa por um processo de racionalização científica, baseada numa mensuração objetiva e quantitativa, bem como, na visão dualista mente-corpo. Esse modelo subestima a dimensão psicológica, social e cultural da relação saúde-doença, com os significados que a doença assume para o paciente e seus familiares. Os médicos e pacientes, mesmo pertencendo à mesma cultura, interpretam a relação saúde-doença de formas diferentes. Além dos aspectos culturais
deve-se enfatizar que eles (médicos e pacientes) não se colocam no mesmo plano: trata-se de uma relação assimétrica em que o médico detém um corpo de conhecimentos do qual o paciente geralmente é excluído. 
  Para ilustrar isso, relata-se um encontro, realizado em 1994, que teve como foco da discussão a relação médico-paciente e suas dificuldades, concluindo-se com uma declaração de consenso conhecida internacionalmente como Toronto Consensus Statement. Entre os dados apresentados podemos destacar que 54% dos distúrbios percebidos pelos pacientes não são tomados em consideração pelos médicos durante as consultas, bem como 50% dos problemas psiquiátricos e psicossociais não são considerados. Em 50% das consultas, médicos e pacientes não concordam sobre a natureza do problema principal, e 65% dos pacientes são interrompidos pelos médicos depois de 15 segundos de explicação do problema. 
  Com base nos dados apresentados, percebe-se que a falta de uma relação benéfica médico-paciente é frequente. A partir daí, muitos problemas podem surgir: o tempo das consultas médicas são reduzidas, os médicos não ouvem os pacientes, os pacientes tem dúvidas sobre o médico e não cooperam com o diagnóstico/tratamento, o médico não consegue lidar com a diversidade de culturas dos pacientes. 
 Para mudar essa realidade, pode-se abordar a formação médica: nos cursos tradicionais para médicos e enfermeiros, os estudantes adquirem uma série de conteúdos e capacidades práticas que levam a considerarem somente os aspectos físicos, excluindo as características culturais e socioeconômicas. Segundo Anne Scott (1998), durante a formação os estudantes adquirem a consciência do que deve ser ignorado, excluído, reforçando a lógica biomédica. Na realidade, o conto do paciente muitas vezes não contém somente elementos de história da doença, mas também elementos de história social. Há algumas décadas, nas universidades européias e norte-americanas estão sendo desenvolvidos cursos sobre o tema da relação médico-paciente. Quase todos esses cursos têm uma característica comum: a duração acompanha todo o processo de formação do estudante desde os primeiros até os últimos anos.
  Sendo assim, por que não começar a implementar, de maneira efetiva, esses cursos no Brasil, a exemplo do que já é feito em países estrangeiros? Como vimos na postagem anterior, o modelo do SUS traz essa ideia de estabelecimento de vínculos, mas será que levar essa atitude apenas para o SUS é suficiente? Não seria ainda melhor passar a visão mais humana da medicina desde a formação médica?

Com essas reflexões, encerra-se o blog. Espero que os leitores tenham aprendido bastante sobre a síndrome metabólica desde as suas bases bioquímicas até o contexto da síndrome na sociedade. Dúvidas podem ser colocadas nos comentários. Até o próximo blog (?).

Fonte: http://www.scielosp.org/pdf/csc/v9n1/19831.pdf

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Sistema Único de Saúde (SUS)

  Dando continuidade ao estudo da síndrome metabólica, na postagem de hoje será discutido sobre os princípios básicos do SUS. O Sistema Único de Saúde foi criado em 1988, pela Constituição Federal, para ser o sistema de saúde de todos os brasileiros. Em resumo, o SUS é a rede que reúne postos de saúde, ambulatórios, hospitais, laboratórios, enfim, todos os estabelecimentos públicos de saúde responsáveis por garantir o direito dos cidadãos a consultas, exames, internações e tratamentos. Os serviços prestados pelo SUS são destinados a todos os cidadãos e são financiados com recursos arrecadados por meio de impostos e contribuições pagos pela população.
  Diferentemente do que acontece com planos de saúde comerciais, no SUS todos têm direito aos serviços que são gratuitos e oferecidos de maneira integral (sem restrições, carência, etc). O atendimento oferecido deve ser igual para todos, sem discriminação, independentemente de contribuição ou trabalho com carteira assinada.
  O modelo de atuação do SUS vem sendo reformulado. Esse sistema é organizado para se antecipar aos problemas de saúde ou tentar solucioná-los o quanto antes e o mais perto possível da população. Desta forma, o antigo modelo no qual o paciente com problemas de saúde deveria se dirigir ao hospital está, aos poucos, sendo substituído por um modelo no qual os agentes de saúde entram em contato com a população e encaminham as pessoas para consultas na Unidade Básica de Saúde mais próxima.
  Um aspecto interessante dessa postura é a criação de vínculos com os pacientes: uma situação muito discutida ao longo das postagens do blog e essencial para uma boa conduta médica.
  Para o exercício dessa proximidade com os pacientes, há o Programa de Saúde da Família (PSF).Esse programa atua nas Unidades Básicas de Saúde, localizadas estrategicamente em várias regiões de cada cidade, através de uma equipe composta por: 
  • 1 médico(a) generalista (clínico-geral)
  • 1 enfemeiro(a) 
  • 1 auxiliar de enfermagem 
  • entre 4 e 6 agentes comunitários de saúde, 
  • outros profissionais - como dentistas, assistentes sociais e psicólogos - poderão ser incorporados às equipes ou formar equipes de apoio, de acordo com as necessidades e possibilidades locais.
A atuação dessa equipe é intermediada pela ação dos agentes de saúde e tudo pode ser resumido na seguinte imagem: 

  Com essa introdução básica acerca do SUS, encerra-se mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários. Seria interessante discutir quais as vantagens e as desvantagens desse sistema apresentado na postagem nos comentários. Na próxima postagem, será feita uma reflexão acerca do contexto da síndrome metabólica no SUS bem como haverá a finalização do blog. Até a próxima semana.

Fontes: http://www.guiadedireitos.org/index.php option=com_content&view=article&id=12%3Afuncionamento-do-sus&catid=20%3Asus&Itemid=32

http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=11&Itemid=32

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tratamento cirúrgico da obesidade e seu efeito na Síndrome Metabólica (SM)

  Na postagem anterior, realizou-se um estudo do tratamento medicamentoso dos principais fatores da síndrome metabólica. Continuando a aprofundar o tratamento da SM, explica-se nessa postagem como a intervenção cirúrgica da obesidade pode ajudar a corrigir a SM. 
  O tratamento cirúrgico da obesidade tem como objetivo diminuir a entrada de alimentos no tubo digestivo (cirurgia restritiva), diminuir a sua absorção (cirurgia disabsortiva) ou ambos (cirurgia mista).  A cirurgia deve ser considerada para o paciente obeso mórbido (IMC > 40 kg/m²), ou obeso com IMC >35 kg/m² desde que apresente comorbidades clínicas importantes, e somente após ter sido submetido a tratamento clínico adequado, mas sem resultados.
  Condições da cirurgia: 
  • O paciente só deverá ser operado se estiver bem informado sobre o tratamento, motivado e se apresentar risco operatório aceitável.
  • O paciente deve ser selecionado para a cirurgia, após cuidadosa avaliação por equipe multidisciplinar especializada e composta por endocrinologistas ou clínicos, intensivistas, cirurgiões, psiquiatras ou psicólogos e nutricionistas.
  • A operação deve ser feita por um cirurgião experiente no procedimento e que trabalhe com equipe e em local com suporte adequado para todos os tipos de problemas e necessidades que possam ocorrer.
  • Após a operação, deve haver acompanhamento médico de longo prazo.
  • As mulheres férteis devem ser alertadas de que só poderão engravidar depois da cirurgia quando estiverem com o peso estabilizado e com o seu estado metabólico e nutricional normalizado
  Dentre as cirurgias, a cirurgia bariátrica merece destaque. Ela implica em perda de peso que varia de 20% a 70% do excesso de peso. É o método mais eficaz e duradouro para a perda de peso, com melhora nítida dos componentes da síndrome metabólica, uma vez que o objetivo de redução de peso ,que foi dito no tratamento da obesidade na postagem anterior, é alcançado. O estudo longitudinal, prospectivo, controlado, não-randomizado, mais consistente até o momento, é o SOS (Swedish Obese Subjects), que comparou obesos submetidos a tratamento cirúrgico com obesos submetidos a tratamento clínico, demonstrando maior diminuição e manutenção do peso perdido, com melhora dos parâmetros metabólicos, nos obesos submetidos à cirurgia. 

Finaliza-se aqui mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários. Nas próximas postagens, será dado continuidade ao estudo de vários aspectos da síndrome metabólica.

Fontes: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2005000700001&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302006000200026

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Tratamento Medicamentoso da Síndrome Metabólica (SM)

  Na postagem anterior, abordou-se, especialmente, o tratamento não-medicamentoso, o qual está intimamente relacionado ao estilo de vida. Hoje, será tratado do tratamento medicamentoso da síndrome metabólica, abordando de forma conjunta todos os fatores que provocam a SM. 
  Tratamento Medicamentoso:
  Esse tipo de tratamento será indicado sempre quando os resultados conseguidos através do tratamento não-medicamentoso não forem satisfatórios, fato que pode ocorrer frequentemente em virtude de fatores discutidos em postagens anteriores como a adesão do paciente ao tratamento. Para o tratamento medicamentoso, deve haver uma postura para cada um dos sintomas da SM (hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemia, obesidade)
  • Hipertensão Arterial (HA): O objetivo é reduzir a pressão arterial e diminuir a morbimortalidade cardiovascular e renal. Recomenda-se o uso de qualquer uma das cinco principais classes de drogas anti-hipertensivas: diuréticos, betabloqueadores, antagonistas de cálcio, inibidores da enzima conversora de angiotensina e bloqueadores dos receptores de angiotensina II podem ser utilizadas como tratamento inicial da hipertensão arterial, não havendo diferenças entre eles em relação aos benefícios cardiovasculares. Seguem abaixo exemplos dessas drogas e as posturas terapêuticas que devem ser tomadas pelos médicos: principais classes de drogas anti-hipertensivasprincípios do tratamento medicamentoso de HAesquema terapêutico de tratamento da HA
  • Diabetes tipo 2: O objetivo é reduzir a glicemia e diminuir os riscos de doenças cardiovasculares. O efeito das drogas deve ser direcionado para ação anti-hiperglicemiante e antiaterogênica. Combinações terapêuticas de metformina e glitazonas, metformina e sulfoniluréias, e glitazonas e sulfoniluréias têm sido amplamente utilizadas. Além dessa combinação, outras podem ser consultadas  clicando no link e os principais medicamentos para o tratamento da diabetes.
  • Dislipidemia: O objetivo é fazer a prevenção de aterogênese e do surgimento de doenças cardiovasculares. Metas a serem atingidas podem ser vistas clicando no link. Muito importante enfatizar a redução do LDL-colesterol como meta primária a ser alcançada, junto com a correção dos níveis de HDL-colesterol e triglicerídeos. Medicamentos a serem usados são das classes das estatinas, dos fibratos, o ácido nicotínico, o ezetimiba.
  • Obesidade: O objetivo é a redução do peso. As drogas mais indicadas são a sibutramina e o orlistat. Estudos mostram efeitos favoráveis desses medicamentos para a perda de peso e melhora dos parâmetros metabólicos. Outras classes de medicamentos são os noradrenérgicos e os inibidores seletivos de recaptação de serotonina. Além do tratamento medicamentoso, os objetivos da correção da obesidade podem ser alcançados por tratamento cirúrgico que serão melhor explicados nas próximas postagens.
  Chega ao fim mais uma postagem. Peço que observem com atenção as imagens que foram fornecidas através de link no blog e podem buscar, nas fontes, outras tabelas e esquemas para aprofundar ainda mais o assunto. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2005000700001&script=sci_arttext

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tratamento Geral da Síndrome Metabólica (SM)

  Nas postagens anteriores, viu-se que a SM aumenta significativamente os riscos de doenças cardiovasculares, e os fatores que geram a síndrome ocasionam uma série de problemas metabólicos no organismo. Diante disso, o tratamento da SM deve ser voltado para a diminuição do risco cardiovascular associado à essa condição, manipulando-se os fatores de risco. Para isso, pode-se estabelecer metas a serem alcançadas em uma abordagem terapêutica (tabela a seguir) e prosseguir para tratamentos medicamentosos ou não-medicamentosos. Nessa postagem será explicitado o tratamento não-medicamentoso e na próxima postagem o tratamento medicamentoso em virtude da extensão dos mesmos.
  Tratamento Não-Medicamentoso: 
  Diante da heterogeneidade de problemas associados ao metabolismo, o tratamento terapêutico não-medicamentoso da SM pode tornar-se uma tarefa complicada. Como já foi bem enfatizado em postagens anteriores, a atitude principal consiste na intervenção no estilo de vida do paciente, especialmente, em relação ao sedentarismo, à alimentação e à manutenção do peso corporal.
  1. Alimentação: Para uma intervenção na alimentação recomenda-se, especialmente, a criação de uma dieta individualizada para cada paciente. O direcionamento da dieta deve ser dado para a perda de peso e de gordura visceral, provocando a normalização dos níveis pressóricos, a correção da dislipidemia e da hiperglicemia. Portanto, aconselha-se uma alimentação rica em fibras, pobres em gorduras saturadas e colesterol e com reduzida quantidade de açúcares simples. Claro que uma dieta restritiva pode provocar difícil aceitação por parte do paciente, mas é aí que diferenciam-se os médicos experientes: a capacidade de negociação com o paciente é essencial para o estabelecimento eficaz da dieta. Além disso, o papel de nutricionistas é fundamental tanto na etapas de negociação quanto na de elaboração da dieta.
  2. Sedentarismo: Questão também já discutida em postagens anteriores. A intervenção ao sedentarismo acontece através da introdução de atividades físicas regulares que devem ser adequadas à faixa etária e ao condicionamento físico de cada indivíduo. Com isso, há o benefício cardiovascular e a manutenção do peso.
  3. Hábitos: Diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas relaciona-se com diminuição da pressão arterial, dos níveis de triglicerídeos e da carga calórica total. Diminuição do hábito de fumar (tabagismo) está bem relacionado com a redução de riscos cardiovasculares.
  4. Adesão do paciente: Deve ser ressaltado que o tratamento não-medicamentoso deve ser um ponto importante levantado pelo médico, mas que depende especialmente de uma única pessoa: O paciente. Por estar envolvendo fatores intrínsecos ao estilo de vida formado pelo paciente desde o seu nascimento, é difícil uma adesão completa do paciente. Portanto, a relação entre o médico e o paciente, isto é, o vínculo entre eles deve estar bem forte.
 Chega ao fim a sexta postagem. Na próxima postagem, como já mencionado, será dado continuidade ao tratamento da SM, mais especificamente o tratamento medicamentoso. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2005000700001&script=sci_arttext
Aula do osmar!!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Hipertrigliceridemia, hipertensão arterial e hipercolesterolemia

  Na última postagem, relacionou-se a obesidade e a diabetes com a resistência à insulina. Viu-se também que a resistência à insulina acarreta num quadro de maior produção de insulina (hiperinsulinemia). Na postagem de hoje, será apresentado a participação da resistência à insulina em fatores como hipertensão arterial (HA) e hipertrigliceridemia (HT).
  A hipertensão arterial é uma doença caracterizada pela elevação dos níveis tensionais no sangue e que está muito relacionada com a obesidade. Esta implica em um aumento de tecido adiposo, especialmente, na região abdominal subcutânea ou intra-abdominal. Estudos mostram que a gordura intra-abdominal produz ácidos graxos livres, os quais produzem efeitos indesejados no nosso corpo. Um desses efeitos é o comprometimento da resposta tecidual à insulina e reduzem o transporte de glicose, implicando na resistência à insulina.
  Isso nos ajuda a entender que a obesidade provoca a resistência à insulina. Mas, associado à essa resistência, pode surgir um quadro de aumento de pressão arterial em virtude do acúmulo de insulina. Essa é uma das hipóteses que recebe mais ênfase nos estudos atuais, apesar de não existir comprovações definitivas. No entanto, muitos fatores contribuem para fortalecer essa hipótese: as ações da insulina na retenção renal de sódio, no estímulo da atividade simpática e na modulação de endotelina circulante (peptídeos que promovem a constrição de vasos) favoreceriam o aumento da pressão arterial.
  Outro efeito dos ácidos graxos livres produzidos pelo tecido adiposo intra-abdominal é o estímulo da síntese de VLDL no fígado. O resultado disso é a liberação de um excesso de partículas de VLDL grandes, ricas em triglicerídeos, que geram uma série de eventos que acarretam na redução do HDL. Estabelece-se, assim, a chamada tríade lipídica: aumento dos triglicerídeos (hipertrigliceridemia), redução do HDL-colesterol e a presença de níveis aumentados de LDL.
  Relembrando que o excesso de LDL, associado à diminuição do HDL, induz quadros de hipercolesterolemia, aterosclerose e outros problemas vasculares. Portanto, todos os fatores levantados na postagem ajudam a explicar a relação entre resistência à insulina e os sintomas da chamada síndrome metabólica. Somado a isso, percebe-se o quanto a síndrome metabólica está vinculada a problemas vasculares.

Chega ao fim mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser colocadas nos comentários. Nas próximas postagens continuaremos a buscar novos enfoques para a síndrome metabólica para enfim relacionarmos o quadro geral da síndrome na situação atual do SUS.

Fontes: http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2004_02/a2004_v17_n02_art04.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Endotelina
http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/7-2/006.pdf
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/hipertensao
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipercolesterolemia

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Obesidade e diabetes: Os efeitos de uma dieta gordurosa

  Na primeira postagem falou-se que a síndrome metabólica é um resultado do conjunto de pelo menos três dos seguintes sintomas: obesidade, hipertensão arterial, hipocolesterolemia e hipertrigliceridemia. Em seguida, relacionou-se a síndrome metabólica, principalmente, com os hábitos alimentares e o estilo de vida. Na postagem de hoje, será detalhado um pouco da bioquímica por trás do estilo de vida em relação à dois dos sintomas da síndrome metabólica: a obesidade e a diabetes.
  Tomando como exemplo o Brasil, a alimentação da população brasileira é caracterizada pelo consumo de alimentos como biscoitos, pães, frituras, refrigerantes e carne vermelha ricos em gorduras e em açúcares. Esse consumo faz com que no organismo dos brasileiros, em geral, exista um excesso de gorduras saturadas e de glicose, a partir das quais surge a chamada resistência à insulina. A resistência à insulina consiste na dificuldade do hormônio insulina de realizar o seu papel de transporte de glicose para o interior das células de diferentes órgãos e tecidos do corpo.
  Mas como um organismo poderia tornar-se resistente à insulina? Pesquisas demonstram que uma dieta rica em gorduras saturadas provoca a ativação da TLR-4 (proteína existente na membrana celular). A ativação dessa proteína induz uma inflamação nos neurônios da base do hipotálamo responsáveis por controlar a fome e, também, uma maior produção de três enzimas - a iNOS, a JNK e IKK-beta - que impedem o funcionamento adequado da insulina . Em virtude disso, os níveis de glicose no sangue serão aumentados e surgirá uma espécie de círculo vicioso: a glicose no sangue continua a estimular a produção de insulina pelo pâncreas, mas essa produção não será identificada pelo hipotálamo, que eleva a liberação de dois hormônios (a orexina e hormônio concentrador de melanina) que aumentam a fome e diminuem o gasto de energia . O resultado desse processo todo é a danificação de células do fígado, dos vasos sanguíneos e dos nervos, bem como do surgimento de uma tendência do organismo em acumular o excesso de glicose no tecido adiposo - caracterizando o aumento de peso.
  Portanto, a ingestão de alimentos ricos em gorduras acarreta no aumento de peso e pode provocar a obesidade. Mas não para por aí: a resistência à insulina associada à obesidade também estimula o surgimento, especialmente, da diabetes tipo 2 - na qual o indivíduo produz a insulina mas não é capaz de utilizá-la corretamente.
  Agora por que mudar os hábitos alimentares pode ajudar a reverter os processos descritos acima? Pesquisas utilizaram o conhecimento da inflamação nos neurônios causada pela ativação da proteína TLR-4 e conseguiram descobrir mecanismos de reverter tal inflamação: a prática de exercícios físicos e o uso de ácidos graxos insaturados. No primeiro, observou-se que a realização de exercícios aumentava, em camundongos, a produção de proteínas anti-inflamatórias, chamadas de interleucinas, que ajudariam a reverter a inflamação nos neurônios do hipotálamo. No segundo, observou-se que os ácidos graxos insaturados revertiam a inflamação provocada pelas gorduras saturadas em função das diferentes estruturas espaciais dessas substâncias (os ácidos graxos insaturados são curvos graças a presença de ligações duplas e os saturados são alongados).

  Com isso, conclui-se mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários. Nas próximas postagens será explicado um pouco da bioquímica dos outros dois sintomas da síndrome metabólica, relacionando sempre com o estilo de vida e em como evitar esses sintomas.

Fontes: http://www.news.med.br/p/saude/367834/oms+divulga+as+dez+principais+causas+de+morte+no+mundo+de+2000+a+2011.htm
http://download.thelancet.com/flatcontentassets/pdfs/brazil/brazilpor4.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102013000700005
http://revistapesquisa.fapesp.br/2007/10/01/dieta-de-alto-risco/
http://revistapesquisa.fapesp.br/2009/02/01/gordura-atrai-gordura/
http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/07/044-049-173.pdf

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Repercussões da Síndrome metabólica: a DHGNA

  Uma das consequências da síndrome metabólica é a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). Apesar de doenças hepáticas serem comumente associadas à ingestão de bebidas alcoólicas, a DHGNA está relacionada com o metabolismo. A doença hepática gordurosa não-alcoólica é uma condição clínico-patológica caracterizada por  acúmulo de lipídeos no interior dos hepatócitos. O quadro patológico lembra o da lesão induzida por álcool, mas ocorre em indivíduos sem ingestão etílica significativa. A DHGNA é talvez a causa principal de morbidade e mortalidade ligadas a doenças do fígado. Os pacientes podem ser assintomáticos, apresentar elevações discretas ou moderadas das enzimas hepáticas ou sintomas da patologia causal.
  Há duas vias principais para armazenamento, mobilização e metabolismo de ácidos graxos livres (AGL) no fígado: formação de triglicerídeos e subseqüente excreção como lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL) e b-oxidação mitocondrial para formar acetil-Coa, que pode ainda ser oxidada no ciclo dos ácidos tricarboxílicos, ou pode ser convertida em corpos cetônicos. Normalmente os ácidos graxos não são depositados no fígado, no entanto, o estilo de vida sedentário, a grande ingestão de carboidratos e de lipídeos e o estresse favorecem essas vias de armazenamento, provocando a doença.
  Mas não para por aí: a DHGNA possui fortes relações com a obesidade, a diabetes e riscos de doenças cardiovasculares. Como tudo isso está profundamente relacionado com a síndrome metabólica, conclui-se que há uma intrínseca associação entre esta síndrome e a doença em questão, podendo até a DHGNA ser considerada como o componente hepático da Síndrome Metabólica.
  Apesar de não haver um estudo para averiguar a incidência desse problema hepático na população, sabe-se que a obesidade, os problemas vasculares e a diabetes estão entre os principais problemas de saúde da humanidade. Portanto, é fácil perceber a importância que deve ser dada à DHGNA, dado a relação forte entre esses problemas de saúde e a doença hepática. Para que possamos proceder no tratamento da síndrome metabólica e da DHGNA, deve-se recorrer a uma atitude que, provavelmente, será muito enfatizada no decorrer do blog: a mudança dos hábitos alimentares.


Fontes: http://www.actagastro.org/actas/2007/n4/2007_num4_224-230_05.pdf
http://www.rbconline.org.br/wp-content/uploads/a2008_v21_n02_a04gisele.pdf

domingo, 12 de outubro de 2014

Origens da Síndrome Metabólica: genética, ambiental e nutricional

  Na última postagem, discutiu-se o que é a síndrome metabólica e a importância de ficar atento para esse problema. Na postagem de hoje, o foco será dado para a elucidação das causas e das origens da síndrome metabólica.
  Embora as principais causas da síndrome metabólica não estejam completamente desvendadas, acredita-se que a síndrome está relacionada principalmente à predisposição genética, à influência ambiental e aos hábitos alimentares da população. Para entender a influência da predisposição genética, devemos compreender como os nossos genes estão adaptados para a alimentação. Estudos e pesquisas revelam que, apesar da existência de mutações, o genoma humano (Homo sapiens) é essencialmente o mesmo desde o período Paleolítico (500.000 a.C. - 1000 a.C.) e foi para o estilo de vida do homem dessa época que nosso genoma foi adaptado. Mas qual seria esse estilo de vida? Ao observar a imagem abaixo, percebe-se que existem profundas diferenças na alimentação e na realização de atividades físicas entre os períodos paleolítico e atual.

  De modo geral, percebe-se que o nosso corpo foi inicialmente utilizado em uma ingestão alta de proteínas, de fibras e baixas ingestões de gorduras e sódio, além de que há intenso gasto energético associado à atividades físicas. No entanto, atualmente observamos que nossos hábitos alimentares estão justamente no sentido contrário: alta quantidade de gorduras, de calorias, de sódio, baixa ingestão de proteínas e isso tudo somado a um baixo gasto energético. Portanto, um corpo que foi geneticamente adaptado para um estilo de vida acaba sendo utilizando para outro estilo completamente diferente e não houve uma adaptação genética significativa para tolerar essas mudanças. A partir daí, a sociedade desenvolve, principalmente, as doenças crônicas ligadas ao metabolismo; fato que desencadeia a síndrome metabólica.
  Em relação a influência do ambiente, estudos mostram que, por exemplo, fetos que não tiveram uma boa nutrição na sua gestação, nascendo com peso abaixo do esperado, e que tiveram um ganho de peso exagerado na sua infância, em virtude do estilo de vida calórico e sedentário, possuem uma maior predisposição a desenvolver doenças como obesidade e diabetes. Esse exemplo demonstra que o ambiente a que somos submetidos influencia o nosso fenótipo. Por fim, percebe-se que todos os fatores analisados estão relacionados à nutrição. Em última análise, é o modo como nos alimentamos que provoca alterações no metabolismo e, consequentemente, é esse fator que possui maior relação com a síndrome metabólica.


Chega ao fim a segunda postagem do blog. Nas próximas postagens continuarei a desvendar as características da síndrome metabólica, tais como sintomas e formas de prevenção. Todo o conhecimento já formado é importante para que possamos compreender  a complexidade do assunto. Dúvidas e sugestões podem ser feitos nos comentários.


Fontes: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/viewDownloadInterstitial/2228/7852

sábado, 4 de outubro de 2014

Introdução ao assunto: O que é síndrome metabólica?

Iniciando o estudo sobre síndrome metabólica e a bioquímica no SUS, é necessária que uma base teórica seja formada. Sendo assim, nas primeiras postagens será detalhado o que é síndrome metabólica e as suas demais características (causas, diagnóstico, consequências, entre outros). Nessa primeira postagem será dado ênfase no conceito da síndrome e na importância de identificação do problema.

Síndrome metabólica é um termo médico para designar o conjunto de fatores de risco fortemente relacionados com o desenvolvimento de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral(AVC) e Diabetes mellitus tipo II. Como algumas dessas doenças estão entre as que possuem maior índice de mortalidade no mundo, como mostra a imagem abaixo, percebe-se a importância de ficar atento à síndrome metabólica.


Embora existam diferentes critérios para o diagnóstico da síndrome metabólica os critérios para adultos são 3 ou mais dos seguintes sintomas:
Obesidade: Perímetro abdominal maior que 100cm para homem, 90cm para mulher)
Hipertensão arterial: Pressão arterial igual o superior a 130/85 mmHg
Hiperglicemia (muito açúcar no sangue): glicose igual a ou maior do que 100 mg / dL em jejum
Hipocolesterolemia : HDL abaixo de 40 mg / dL em homens ou abaixo de 50 mg / dL em mulheres
Hipertrigliceridemia: Nível de triglicéridos igual ou acima de 150 mg / dL
Em crianças e adolescentes os valores variam conforme a idade e sexo.

Nas próximas postagens será detalhado aspectos como causas,sintomas e tratamento. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários.