terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tratamento cirúrgico da obesidade e seu efeito na Síndrome Metabólica (SM)

  Na postagem anterior, realizou-se um estudo do tratamento medicamentoso dos principais fatores da síndrome metabólica. Continuando a aprofundar o tratamento da SM, explica-se nessa postagem como a intervenção cirúrgica da obesidade pode ajudar a corrigir a SM. 
  O tratamento cirúrgico da obesidade tem como objetivo diminuir a entrada de alimentos no tubo digestivo (cirurgia restritiva), diminuir a sua absorção (cirurgia disabsortiva) ou ambos (cirurgia mista).  A cirurgia deve ser considerada para o paciente obeso mórbido (IMC > 40 kg/m²), ou obeso com IMC >35 kg/m² desde que apresente comorbidades clínicas importantes, e somente após ter sido submetido a tratamento clínico adequado, mas sem resultados.
  Condições da cirurgia: 
  • O paciente só deverá ser operado se estiver bem informado sobre o tratamento, motivado e se apresentar risco operatório aceitável.
  • O paciente deve ser selecionado para a cirurgia, após cuidadosa avaliação por equipe multidisciplinar especializada e composta por endocrinologistas ou clínicos, intensivistas, cirurgiões, psiquiatras ou psicólogos e nutricionistas.
  • A operação deve ser feita por um cirurgião experiente no procedimento e que trabalhe com equipe e em local com suporte adequado para todos os tipos de problemas e necessidades que possam ocorrer.
  • Após a operação, deve haver acompanhamento médico de longo prazo.
  • As mulheres férteis devem ser alertadas de que só poderão engravidar depois da cirurgia quando estiverem com o peso estabilizado e com o seu estado metabólico e nutricional normalizado
  Dentre as cirurgias, a cirurgia bariátrica merece destaque. Ela implica em perda de peso que varia de 20% a 70% do excesso de peso. É o método mais eficaz e duradouro para a perda de peso, com melhora nítida dos componentes da síndrome metabólica, uma vez que o objetivo de redução de peso ,que foi dito no tratamento da obesidade na postagem anterior, é alcançado. O estudo longitudinal, prospectivo, controlado, não-randomizado, mais consistente até o momento, é o SOS (Swedish Obese Subjects), que comparou obesos submetidos a tratamento cirúrgico com obesos submetidos a tratamento clínico, demonstrando maior diminuição e manutenção do peso perdido, com melhora dos parâmetros metabólicos, nos obesos submetidos à cirurgia. 

Finaliza-se aqui mais uma postagem. Dúvidas e sugestões podem ser feitas nos comentários. Nas próximas postagens, será dado continuidade ao estudo de vários aspectos da síndrome metabólica.

Fontes: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2005000700001&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302006000200026

7 comentários:

  1. A obesidade é decorrência de um balanço energético positivo no metabolismo, ou seja, os obesos ingerem mais alimentos do que precisam para repor suas energias. Pode ser associada ou não ao sedentarismo e a problemas hormonais. A reserva natural de gordura aumenta até o ponto em que problemas de saúde podem aparecer no paciente, como por exemplo: doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, apneia do sono e osteoartrite.

    fonte
    http://acetilmetabolismo.blogspot.com.br/2014/07/acetilcoenzima-doencas-metabolicas.html

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  2. Nos pacientes obesos mórbidos, os tratamentos conservadores têm se mostrado eficazes em promover melhora da SM, no entanto, não há manutenção da perda de peso na quase totalidade dos indivíduos. A cirurgia bariátrica tem se mostrado eficaz em promover perda significativa e sustentada de peso em obesos mórbidos.
    Hoje a cirurgia bariátrica é potente arma no tratamento da obesidade mórbida e as comorbidades que cercam esta doença. Sabe-se que o "bypass" duodenal e jejunal, realizado na cirurgia bariátrica, reduz progressivamente a glicemia de jejum e melhora a resistência insulínica. Atualmente a cirurgia bariátrica passou a ser também denominada cirurgia metabólica, pelas evidências que os diversos estudos têm mostrado em relação ao tratamento eficaz do diabetes mellitus e a cura da SM. A redução da ingestão calórico-lipídica, melhora da sensibilidade à insulina e disabsorção lipídica de até 40% e constituem os principais mecanismos para melhora lipídica. A redução da hiperinsulinemia e da resistência insulínica, redução da hiperativação simpática como resultado da redução dos níveis de leptina e redução da hipertensão intra-abdominal crônica, característica da obesidade mórbida, são os principais mecanismos relacionados com a redução ou melhora da pressão arterial. A cura da SM após a operação foi descrita como possível e secundária à melhora da sensibilidade à insulina. As operaçõesmde bypass gástrico têm sido associadas com a prevenção em 99 a 100% dos casos de intolerância à glicose para o diabetes, em seguimentos de médio prazo.

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  3. Do ponto de vista nutricional, os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica deverão ser acompanhados por longo tempo, com objetivo de receberem orientações específicas para elaboração de uma dieta qualitativamente adequada. Quanto mais disabsortiva for a cirurgia, maior a chance de complicações nutricionais, como anemias por deficiência de ferro, de vitamina B12 e/ou ácido fólico, deficiência de vit D e cálcio e até mesmo desnutrição, nas cirurgias mais radicais. Reposições vitamínicas são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado. A diarreia pode ser uma complicação nas cirurgias mistas, principalmente na derivação bileopancreática.

    Fonte: http://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-cirurgia-bariatrica/

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  4. Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago, são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia vertical com bandagem ou cirurgia de Mason e a gastroplastia vertical em “sleeve”). A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos. Existem, também, as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho estomago e também um desvio do trânsito intestinal, havendo desta forma, além da redução da ingestão, diminuição da absorção dos alimentos. As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações bileopancreáticas).

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  5. :Na cirurgia bariátrica, até dois anos após a cirurgia, o paciente ainda está perdendo peso. A partir do momento que esse processo se estabiliza, é possível haver algum ganho, caso o paciente “baixe a guarda” e não se esforce para manter o peso. Esforço significa manter uma dieta balanceada e atividades físicas, o que é recomendado para os operados ou não. A cirurgia é apenas o primeiro passo rumo a uma nova vida e é preciso abandonar antigos costumes nocivos e adotar uma forma de vida mais saudável, que inclui dieta equilibrada e a prática de exercícios. O principal fator para ganho de peso posterior é a não adesão ao tratamento, que não se resume apenas às cirurgias bariátricas. O tratamento deve ser multidisciplinar, ou seja, com médico, nutricionista, psicólogo e educador físico, já que o paciente deverá a aprender a viver de uma maneira diferente.
    Fonte:www.abc.med.br

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  6. Nos pacientes obesos mórbidos, os tratamentos conservadores têm se mostrado eficazes em promover uma melhora da SM; no entanto, os resultados de médio e longo prazos são desapontadores, pois não há uma manutenção da perda de peso na quase totalidade dos indivíduos. A cirurgia bariátrica tem se mostrado eficaz em promover uma perda significativa e sustentada de peso em obesos mórbidos. A partir de 1991, várias sociedades médicas internacionais estabeleceram como critério de recomendação da cirurgia bariátrica o insucesso do tratamento clínico em pacientes com IMC > 40, ou IMC > 35 nos casos de co-morbidades graves associadas passíveis de reversão com o emagrecimento induzido pela cirurgia. Alguns pontos devem ser acrescentados a esta indicação: 1) a presença de risco cirúrgico aceitável, 2) esclarecimento do paciente quanto ao seguimento de longo prazo, e manutenção de terapias dietéticas e suplementação vitamínica durante toda a vida, 3) realização do procedimento por cirurgião habilitado, e 4) possibilidade de avaliação e seguimento com equipe multidisciplinar das áreas clínicas (endocrinologia), nutricional e psiquiátrica (1).

    Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302006000200026

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  7. Existem dois tipos de cirurgia bariátrica. No primeiro, em que há redução do tamanho do estômago, existem três variações denominadas: banda vertical ajustável, gastroplastia vertical, gastroplastia vertical com by-pass em y de Roux. Esta última, também chamada Capella ou Fobi-Capella, é a mais utilizada e foi desenvolvida por cirurgiões. Além da restrição causada pela diminuição do volume do estômago, ocorre uma pequena disabsorção dos alimentos, porque eles deixam de passar pela primeira parte do intestino delgado. O segundo tipo é a cirurgia disabsortiva (ou Derivação bilio-pancreática), chamada de cirurgia de Scopinaro. Neste caso, o paciente terá mais liberdade de comer maior quantidade de alimentos, já que não há grande diminuição do estômago, que fica com 2/3 do seu tamanho original. O que é feito aqui é um grande desvio do alimento, que vai para o intestino grosso. Estes pacientes submetidos à gastroplastia redutora devem ser acompanhados, recebendo orientações específicas para elaboração de uma dieta equilibrada. A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, uma vez que pacientes instáveis psicologicamente podem recorrer a preparações de alta densidade calórica, de baixa qualidade nutricional, colocando em risco o sucesso da intervenção a longo prazo. Existem contra-indicações para a realização desta cirurgia como, por exemplo, cirrose hepática, algumas doenças renais e psiquiátricas graves, vícios (droga, alcoolismo) e disfunções hormonais. Todas devem ser avaliadas por profissionais com prática e conhecimento aprofundado neste assunto. Em todos os casos o paciente deverá, obrigatoriamente, ter pleno conhecimento das características, necessidades, riscos e limitações de cada cirurgia. Participe de reuniões com uma equipe multiprofissional e com pacientes já operados para poder ter certeza da sua decisão.
    Fonte: http://www.abc.med.br/p/obesidade/22720/cirurgia+bariatrica+o+que+e+isso.htm

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